terça-feira, 27 de setembro de 2016

O braço terrorista do regime de exceção

Por Jeferson Miola

O golpe não se encerrou na sessão do Senado que cassou o mandato da Presidente Dilma na farsa do impeachment. Ali apenas se abriu um capítulo novo do ataque à democracia para a consolidação do regime de exceção que se vive no Brasil.

Os objetivos com a suspensão das regras democráticas são: [1] extirpar Lula e o PT do sistema político brasileiro – portanto, a representação dos pobres na política; [2] transferir a riqueza nacional ao capital estrangeiro mediante a regressão dos direitos do povo; e [3] inserir subalternamente o Brasil, a sétima potência econômica planetária, no sistema mundial.

Liberdade de expressão ameaçada no Brasil

Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:



O Relator para a Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA), Edison Lanza, esteve em São Paulo nesta segunda-feira (26) em debate promovido pela Artigo 19 em parceria com o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Crítico à falta de diversidade de opiniões e ideias na mídia brasileira, Lanza demonstrou preocupação com os iminentes retrocessos sinalizados pelo governo Temer, como o desmonte da comunicação pública e a repressão em protestos e manifestações.

Aprofunda-se o Estado de Exceção!

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Fora Supremo, Fora Dilma. Queremos só Ministério Público e Polícia Federal.

Quando aquela faixa apareceu, em meio à profusão de imagens dos protestos pelo impeachment, em março de 2015, a gente riu. Era uma coisa tão ridícula! Divulgamos em nossos blogs como se ela fosse, em si, tão absurda, que a sua própria divulgação fosse autodesmoralizante.

Eis que ela se torna realidade. Dilma está fora. Não temos mais STF: seus ministros submeteram-se a um silêncio cúmplice e envergonhado, como aliás em todos os outros momentos de arbítrio de nossa história.

Globo escala Faustão para bater em Temer

Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Quando até o Faustão critica o governo Temer, é porque a coisa está realmente no bico do corvo e os velhos ladravazes precisam se coçar.

Não há nada que Faustão faça que não seja combinado com seus donos. Ele passa a impressão de ser o campeão da espontaneidade, o fulano que “fala a verdade na cara dos outros”, o tio que “não tem rabo preso” e por aí vai.

Besteira. É cálculo e o papel que ele representa na emissora.

Lava-Jato atua de acordo com a conjuntura

Por Rafael Tatemoto, no jornal Brasil de Fato:

O ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci foi detido pela operação Lava Jato nesta segunda-feira (26). Na semana passada, Guido Mantega, que dirigiu a mesma pasta durante os governos do PT, também teve sua prisão decretada, mas foi liberado no mesmo dia.

A prisão de Palocci foi anunciada um dia antes pelo atual ministro da Justiça do governo não eleito, Alexandre de Moraes, durante uma atividade política com o Movimento Brasil Livre (MBL) em Ribeirão Preto (SP).

Para analisar as motivações Lava Jato, seus limites e seus possíveis efeitos, o Brasil de Fato conversou com Frederico Ribeiro de Almeida, professor de ciência política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que estuda o sistema judiciário brasileiro e suas relações com a política.

Dilma vê Brasil virando 'Estado de Exceção'

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Dilma Roussef manifestou-se hoje sobre o fato de Alexandre Moraes ter avisado a integrantes do MBL de Kim Kataguiri, durante um comício no interior de São Paulo, que haveriam “novas prisões esta semana”:

“O país vive uma situação grave. O anúncio de nova operação da Lava-Jato pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, num palanque eleitoral, em plena atividade de campanha em Ribeirão Preto, na véspera da prisão de Antônio Palocci, lança suspeitas de abuso de autoridade e do uso político da Polícia Federal. Se tal situação tivesse ocorrido em meu governo, estaríamos sendo duramente criticados pela imprensa e pela oposição. Estamos caminhando para o Estado de Exceção”.

Denúncias contra Temer caem no ostracismo

Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

O presidente não-eleito Michel Temer foi a Nova York discursar na Assembleia Geral da ONU. Há na imprensa quem tenha considerado sua apresentação “sóbria”, “elegante” e “discretamente charmosa”. Para mim, suas declarações mais pareciam um número de comédia stand-up. Entre tantas ótimas, destaco esta anedota:

"Temos um Judiciário independente, um Ministério Público atuante e órgãos do Executivo e Legislativo que cumprem seu dever. Não prevalecem vontades isoladas, mas a força das instituições, sob o olhar atento de uma sociedade plural e de uma imprensa inteiramente livre".

Curitiba também vai te chantagear!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Um ministro da Justiça fora da lei

Por Patrus Ananias

A ditadura em marcha passou a exibir, desde o último fim de semana, um elemento novo, tenebroso e escandaloso: o atual ministro da Justiça, já reconhecido protagonista de inúmeros atos antidemocráticos, travestiu-se agora, fora da lei, em arauto de operações policiais, em pregoeiro de ações de polícia a serviço de interesses eleitorais.

Domingo, ao participar de comício pelo candidato do PSDB à Prefeitura de Ribeirão Preto, o ministro Alexandre de Moraes anunciou para esta semana uma nova etapa da Operação Lava Jato. O que o ministro anunciou ontem, a Polícia Federal executou hoje. Na mesma Ribeirão Preto do comício de campanha do PSDB, a instituição comandada pelo ministro Moraes cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do ex-prefeito e ex-ministro Antonio Palocci, a quem prendeu em São Paulo.

Moro e a naturalidade da demência

Por Mino Carta, na revista CartaCapital:

Gostaria de escrever um conto fantástico sobre os dons divinatórios de Pieter Bruegel, dito o Velho, para ser distinguido do seu primogênito, também Pieter, o Jovem. Extraor­dinário pintor flamengo do século XVI, autor da obra que ilustra estas páginas, exposta no Museu de Capodimonte, em Nápoles, e conhecida como Os Cegos. No meu conto, revelaria que, de verdade, o Velho, batizara seu óleo como O Brasil, título incompreensível à época, mudado pelos herdeiros do artista logo após a sua morte, em 1569.

Diz a biografia do Velho que costumava inventar histórias de terror e fantasmas, a lhe conferir, isto é certo, uma acesa fantasia. Quanto aos cegos do quadro, são uma perfeita alegoria do Brasil destes nossos penosos dias, país incapaz de perceber o destino do brejo.

José Serra, o 'diplomata do porretinho'

Por Flavio Aguiar, na Rede Brasil Atual:

Corre a notícia de que José Serra mandou retirar a bandeira do Mercosul da frente do Palácio do Itamaraty, em Brasília. Não li desmentido até agora, nem vi foto da bandeira de volta ao mastro.

Também corre a notícia de que por alguma razão Serra voltou enfurecido dos Estados Unidos. A mais sugerida é uma discordância quanto 'a fala de Michel Temer na ONU, o trecho em que ele privilegiou a relação com os países da América Latina. Não dá para acreditar nesta fala do Temer, que entre outras coisas disse que o golpe em curso no Brasil é um exemplo para o mundo.

O silêncio dos liberais: raízes da vergonha

Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

O que se busca caracterizar hoje no Brasil com a palavra golpe é na verdade um retrocesso equivalente a um ciclo de ‘des-emancipação social’. Sua abrangência e brutalidade correspondem a uma ruptura do pacto da sociedade sem consulta-la, o que dificilmente se completará sem atingir o núcleo duro das garantias individuais, as liberdades civis e os direitos políticos.

Diante da escalada temerária, constrange o silencio daqueles que, ideologicamente, avocam-se a filiação ao republicanismo, à independência de poderes, a isonomia diante da lei e o respeito ao sufrágio universal.

Faustão: golpista arrependido ou teleguiado?

Por Altamiro Borges

O apresentador Fausto Silva, o maior salário da tevê brasileira – estima-se em R$ 5 milhões mensais –, parece que está irritado com “essa porra de governo”. No programa do Faustão deste domingo (25), ele esculhambou a reforma do ensino médio anunciada na semana passada pelo covil golpista de Michel Temer. Sua explosão, com palavrões e cara de nojo, deve ter desnorteado muitos “midiotas” que veneram a TV Globo. Afinal, Fausto Silva foi um dos principais animadores das marchas golpistas pelo impeachment de Dilma. Ele usou e abusou de uma concessão pública de tevê para convocar e paparicar os protestos de rua que resultaram no “golpe dos corruptos” e na ascensão “dessa porra de governo”.

O significado de Temer para o mercado

Por Antônio Augusto de Queiroz, no site do Diap:

A efetivação de Michel Temer na Presidência da República não foi apenas uma mudança de governante, mas uma mudança de paradigma na relação entre o governo e o mercado.

Na visão do mercado sai uma governante intervencionista, que não hesitava em utilizar os instrumentos de política econômica para interferir nos negócios privados e até na margem de retorno dos empreendimentos, e entra um governante sintonizado com os princípios da livre iniciativa e com visão fiscalista.

Por que 'Aquarius' incomoda a Folha

Por Glauco Faria, no site Outras Palavras:

Neste domingo (25), a Folha de S. Paulo brindou seu leitor com um artigo intitulado “Aquarius”, de seu colunista Samuel Pessoa. Para quem não conhece, trata-se de um economista ligado ao Instituto Millenium e um dos principais assessores da área na campanha do presidenciável Aécio Neves (PSDB) em 2014.

O texto escolhe o filme de Kléber Mendonça Filho, que se tornou símbolo de resistência ao processo que levou ao impeachment de Dilma Rousseff, para defender a reforma da previdência. A história em si é centrada em Clara, personagem vivida por Sônia Braga, que luta para permanecer em seu apartamento no Aquarius, um edifício antigo de poucos andares na Praia de Boa Viagem, no Recife, alvo de uma construtora que pretende destruí-lo para fazer ali um novo e suntuoso empreendimento imobiliário.

Globo está pulando fora do golpe de Temer?

Por Marcos Aurélio Ruy, no site da CTB:

O apresentador do “Domingão do Faustão”, Fausto Silva, conhecido por defender posições golpistas desde o processo de impeachment da presidenta Dilma, escrachou neste domingo (25), em horário nobre, a reforma do ensino médio do desgoverno Temer.

Ao entrevistar o ginasta Diego Hypolito – medalha de prata em ginástica solo na Rio 2016 – Faustão criticou com veemência as mudanças propostas pelo governo golpista para o ensino médio.

Temer vai tratar Lula como ladrão?

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

O juiz Sergio Moro lançou sobre Lula a suspeita de estar surrupiando a memória de sua própria presidência. Pediu ao Governo Temer que investigue se no acervo apreendido no cofre de um banco existem itens que devem se devolvidos ao Palácio do Planalto.

Temer, que diz ter intenção pacificadora, tem uma oportunidade de contribuir para o restabelecimento do respeito litúrgico devido aos ex-presidentes da República. Basta que demonstre a Moro a previsão da Lei 8.394/1991, de que tais bens sejam entregues ao presidente da República no final de seu mandato. Textualmente, diz o artigo 13: “Ao final do mandato presidencial, os documentos tratados pela Secretaria de Documentação Histórica do Presidente da República serão entregues ao titular.”.

A prisão de Palocci e a fase 2 do golpe

Por Renato Rovai, em seu blog:

Ontem o ministro da Justiça Alexandre Moraes estava em Ribeirão Preto fazendo campanha para o tucano Duarte Nogueira, que não consegue decolar nas pesquisas e é o líder em rejeição na cidade. Comportando-se como um führer, disparou: “Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”.

No evento, todos entenderam o recado e provavelmente muitos foram informados pelo ministro: o próximo a ser preso pela Lava Jato seria o ex-ministro Antônio Pallocci, ex-prefeito de Ribeirão.

"Os Miseráveis" da operação Lava-Jato

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Meu pai era fã de Os Miseráveis (1935), uma das muitas versões para o cinema do clássico de Victor Hugo, com Fredric March como Jean Valjean e Charles Laughton como seu implacável perseguidor, o inspetor Javert. Todas as vezes que o filme passava na sessão Coruja, meu pai juntava os filhos no sofá para lhe fazerem companhia. A história, portanto, é muito vívida em minha memória. Valjean, desesperado pela fome, roubara um pão. E, por este crime, é caçado por Javert a vida inteira, com requintes de sadismo.

O aprofundamento do Estado de Exceção

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – o cenário provável

Traçar cenários é tarefa complexa.

O ponto inicial é identificar a tendência da onda do momento e o que poderá acontecer se não surgir nenhum elemento novo, anticíclico, capaz de contê-la. Em geral, esse tipo de cenário serve de alerta, ajudando a estimular forças contracíclicas quando se quer prevenir desastres. Mesmo assim, nações entram na onda fatal, no que cientistas sociais denominaram de “era da insensatez” e vão para o buraco, sem que nenhuma força contra cíclica consiga segurar a queda.